Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar (Cl 3.8).
Vivemos numa sociedade egoísta, individualista e superficial nos relacionamentos sociais. De modo geral, as pessoas são desconfiadas e receosas. Muitas amizades são mantidas por interesse ou por conveniência, não há cumplicidade e liberdade para abrir o coração e expor as fraquezas e angustias da alma. Infelizmente, essa superficialidade relacional tem invadido as igrejas evangélicas contemporâneas, gerando divisões e intrigas entre os irmãos. Alguns cristãos, amargurados e decepcionados em suas relações, resolvem trocar de igreja, pois a convivência torna-se insuportável. Diante de tantos problemas surge uma pergunta: Se somos um corpo em Cristo, por que há tantas divisões na igreja?
Segundo o pastor Ronaldo Lidório, essas divisões ocorrem porque nós somos tolerantes com as nossas limitações e fraquezas, mas intolerantes com as limitações e fraquezas dos nossos irmãos: …se alguém conversa com formalidade, é antipático, mas se nós o fazemos, somos respeitosos. Se alguém não faz, é preguiçoso, mas se nós não fazemos somos ocupados. (…) Se alguém contrai uma dívida é irresponsável e desequilibrado, se nós nos endividamos, é porque recebemos pouco. Se alguém discorda, é soberbo, mas se nós discordamos, somos criteriosos. Se alguém critica, ele o faz por estar tomado de inveja ou ciúmes, se somos nós que criticamos estamos sendo zelosos. (…). Se alguém erra, era de se esperar vindo dele, se nós erramos, dizemos que errar é humano. Se alguém cai, suas atitudes carnais já indicavam isto, se nós caímos o inimigo preparou-nos uma armadilha. Se alguém brinca, está sendo mundano, se nós brincamos, somos informais. Se alguém ofende no falar, é descontrolado, se nós o fazemos é porque somos sinceros.
Infelizmente, as nossas igrejas sofrem por causa de relacionamentos partidos. Muitos não querem admitir o erro, não estão dispostos a pedir perdão, não são humildes em suas colocações e acreditam que estão sempre corretos em suas decisões e escolhas. No mundo evangélico, conhecemos histórias de cristãos que trabalharam juntos em programações e atividades, mas agora não suportam uma conversa, pois seus corações estão cheios de amargura, ressentimentos e mágoas. O que fazer? Definitivamente, não podemos produzir comunhão cristã! Porém, podemos nos esforçar para preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Ef 4.3). Algumas orientações serão úteis nesse processo de restauração e preservação: 1º Seja prudente, vigie seus pensamentos, palavras e ações para não ferir o seu irmão (Pv 13.16). 2º Seja humilde, reconsidere suas decisões, se necessário peça perdão (Fl 2.3). 3º Seja amoroso, aja com compaixão e misericórdia em favor dos seus irmaõs. Acima de tudo, invista tempo na sua vida devocional, pois um coração fortalecido na presença de Deus é essencial para manter e preservar a comunhão entre os demais irmaõs.
